Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

NÓS

A cia palimpsesto de teatro é um grupo composto por jovens que se conheceram entre os anos de 2000 e 2002 em oficinas de teatro da instituição de ensino Cursinho da Poli. Nesta época formaram o grupo Foco em Mim que realizou cinco espetáculos de caráter amador encerrando suas atividades em 2005 com o espetáculo Gota D´agua.

Em 2007, na fase universitária, remanescentes do Foco em Mim idealizam um coletivo do qual fazem parte a Cia Palimpsesto de Teatro e o grupo ...atocontínuo... . Com o primeiro produzem o espetáculo O Homem: O Seu Amor e com o segundo Sentidos. Ambos realizam um circuito de festivais pelo estado de São Paulo, entre eles o Festival de Inverno da FPA, a MAC de Guarulhos e o Festival de Cenas e Monólogos do Teatro Nill de Pádua. Neste último o espetáculo O Homem: O Seu Amor recebe os prêmios de melhor espetáculo, ator, atriz e direção. As atividades estão influenciadas pelo teatro universitário cuja matriz é a pesquisa e a experimentação de novas linguagens.

Atualmente o coletivo concentra-se em manter o viés de pesquisa e aproximar sua prática do teatro profissional. Enquanto a Cia Palimpsesto realiza pesquisa de dramaturgia própria, o ...atocontínuo... debruça-se numa profunda pesquisa da obra de Jean-Paul Sartre com a montagem de seu texto Entre quatro paredes. Alguns registros sobre o processo deste espetáculo estão disponíveis no: http://atocontinuo.blogspot.com/

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Cia Ruído Rosa de volta com o espetáculo "O monge e a raposa"

Divulgação:

Após Andarilhos a cia. de teatro Ruído Rosa continua sua pesquisa fortemente pautada na criação de imagens com estréia de novo espetáculo neste final de semana.

O Monge e a Raposa é uma fábula japonesa, na qual dois seres de dois mundos diferentes se unem em um amor impossível. Inspirada pelo livro The Dream Hunters, do escritor britânico de quadrinhos, Neil Gaiman, a Cia. Ruído Rosa mostra, através de imagens impactantes, entre bonecos, máscaras e dança, a história de amor entre o Monge e a Raposa, marcada por encontros e desencontros no mundo real e no mundo dos sonhos, que formam um labirinto de tramas.


Sextas e sábados 19h30 e domingos 18h30.
28/11 a 14/12
Teatro Laboratório da ECA/USP, sala Miroel Silveira.
Temporada GRATUITA.

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Três vezes Janô – Para um teatro do ator


O diretor teatral Antonio Januzelli, professor aposentado da ECA/USP, está brindando os seus mais de 40 anos de trabalho dedicados às artes cênicas, em cartaz com três espetáculos pela cidade. Experiente, o teatro de Janô é centrado no ator. Entre os três espetáculos em cartaz “Um segundo e meio”, “Se eu fosse eu” e Da beleza ou o sistema nervoso dos peixes”, subjazem características próprias deste genial diretor. Um cenário zero, iluminação simples e os atores, no coração das encenações, com a coragem extrema de viverem seus personagens com a verdade e a intensidade de quem participa de um jogo decisivo, uma experiência inaugural. Aqui, agora. O palco é a vida. Ao expectador a deliciosa ilusão de que os atores são donos do tempo e do espaço, capazes de suspender a ação e retoma-la com um domínio e uma propriedade jamais vistos.

Algumas das premissas das práticas artísticas de Janô podem ser melhor entendidas a partir da leitura de seu livro A aprendizagem do Ator. Entre suas práticas relacionadas à construção e desenvolvimento de uma pedagogia do ator está a noção de Laboratório Dramático do Ator, em suas palavras:

Porque “laboratório”? Porque lembra operação, corte, incisão, experimentação, curiosidade, exame, toque, transformação, mistura, absorção, separação, ruptura, junção; descoberta de mundos presentes, mas velados. Porque as coisas precisam ser vistas, observadas, tocadas, abertas, inquiridas, relacionadas, multiplicadas... É assim que vejo a vida seja no teatro ou fora dele: Um laboratório de movimento ininterrupto, tal qual a imagem de um corpo humano vivo. JANÔ (1992, p. 50 e 51).

Serviço:

Da beleza ou o sistema nervoso dos peixes – VIGA Espaço Cênico – qui. a sáb. 21hs e dom. 19hs com Alexandre Pieroni Calado. O monólogo sombrio e niilista trás fragmentos de Büchner. O texto de estrutura pesadamente conceitual e argumentativa valoriza-se ao pegar emprestada a verdade do ator que se sobrepõe às “verdades” do texto. Acreditamos nele mais do que no que ele diz.


Se eu fosse eu – Teatro Coletivo Fábrica – Quartas e quintas às 21hs. com Cia. Simples de Teatro. O auto-conhecimento, a arte do encontro e os enigmas de Clarice Lispector. Seu texto Um aprendizado ou o livro dos prazeres inspira o catártico exercício dramático.


Um segundo e meio – SESC Consolação – Quartas às 21hs. Com Marcello Airoldi. A poesia pichada no instante agora: Um espetáculo que parece beber da fonte de Proust para mergulhar num estudo da simultaneidade presente em um segundo e meio. Quanto tempo dura um segundo e meio? O velho hábito de fazer do passado algo mais nobre do que foi de fato é posto em cheque. A poesia dos instantes relembrados redimensionada por eventos simultâneos e nem sempre tão dignos de lembrança: Faltava um dente na boca da prostituta? O choro na verdade era fingido! Enquanto falava cuspia farelos de cream craker...


Para Ler:
JANUZELLI, Antonio. A aprendizagem do ator. 2 ed. São Paulo: Ática, 1992.

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

O Amor segundo Lorca – O grupo XPTO sob orientação de Osvaldo Gabrieli volta aos palcos paulistanos com o espetáculo ‘O público’ de Garcia Lorca

No ano passado o XPTO estreou ‘Lorca: Aleluias eróticas em 38 quadros e um assassinato’ que soa comparativamente como um ‘sketchbook’ da montagem atualmente em cartaz. Muitas imagens, textos, canções e figuras utilizados no primeiro espetáculo são revisitados, incluindo um enorme 'epílogo' que pode representar a tentativa de reforçar certo tom metalingüístico precário ao longo da peça.

Não queira o público extrair um entendimento geral do espetáculo, pois seria vão. Há muitos mais o que se fazer diante dele. As palavras carregadamente poéticas de Lorca aliadas à explicita paixão do encenador pelo texto convidam para um mergulho irracional no ritmo poético e imagético proposto: dançar, ouvir, apreciar, sentir o amor que salta das linhas e entrelinhas do poeta. O prazer parece ainda maior para os que já conhecem a obra de Garcia Lorca. A pegada ritualística do grupo é capital na conquista do ritmo poético, mas ofusca o jogo do distanciamento e da aproximação aparentemente sugerido.


O público, De: Federico Garcia Lorca, Dir: Osvaldo Gabrieli, 120 min., 16 anos
Com: Alex Bartelli, André Bubman, Beto Firmino, Bruno Caetano, Felipe Vasconcellos, Marcelo Callegaro, Mariano Mattos Martins, Osvaldo Gabrieli, Rafael D´avila e Tomas Auricchio.
Teatro Coletivo Fábrica, Rua da Consolação, 1623, Tel: 3255 5922 sábados às 19hs, domingos 18hs. Ingressos de R$ 10,00 a R$ 20,00. Até 26/09

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Diálogo inútil do Abismo com a queda

A Cia de Orquestração Cênica está em cartaz no Espaço dos Satyros em São Paulo com o espetáculo Diálogo inútil do Abismo com a queda. Com texto e direção de César Ribeiro e inspirado na obra de Beckett, o espetáculo produz uma síntese do que há de mais característico na obra do grande dramaturgo europeu: O impasse, a espera, a ação elástica que não se realiza, tarda, se estende, se comprime...

Se as personagens de Beckett são, por natureza, fragmentadas e herméticas, nesta montagem nos deparamos com um agravante: A caracterização clownesca não ocorre de um modo muito claro. Há um tom de falsete na voz dos atores que, por vezes, provoca um grande distanciamento entre estes e as personagem. Os atores “patinam” entre a observando e a “ação” aqui tomada na dimensão mais Becketiana possível. O clown auto-centrado, insuficiente, instintivo oprimido pela prisão ao instante do qual está deslocado estão muito mais materializados pelas imagens e sugestões do autor que inspirou o espetáculo do que da interpretação propriamente dita, a qual, não parece querer fixar estes traços conforme tem sido feito tradicionalmente com as peças de Beckett numa intensa busca do instante, da supressão do tempo. Diferentemente do que ocorre em Esperando Godot onde as personagens não têm passado, em Diálogo inútil do Abismo com a queda elas estão em relação direta de resgate e resignificação de seus passados. Assim como os clows - essa linguagem é sugestão do próprio Beckett que era apaixonado por esse universo - outro elemento que parece vir muito mais da característica becketiana de montagem é a utilização a linguagem de cartuns e HQs proposta pela encenação, a seqüência de imagens é bem definida mas não se diferencia da estética de outras montagens recentes como Esperando Godot de Gabriel Villela e Fim de Partida de René Piazentin que também utilizam a limpeza cênica, quadros fotográficos, porém, clowns muito mais coesos.

No processo de Esperando Godot de Gabriel Vilela que ficou em cartaz no SESC em 2006, as atrizes tiveram aulas de máscaras neutra com a Profa. Dra. Maria Thais. Foi realizado um intenso trabalho de corpo, dando enfoque ao deslocamento arquetípico do homem sobre a terra. Para Gabriel Villela, Samuel Beckett é a síntese e a crônica da humanidade no mundo pós-guerra. Esperando Godot enfatiza o extremo das relações humanas ilustrado na convivência de Vladimir e Estragon que passam todo o espetáculo aguardando a chegada de uma terceira personagem capaz de atribuir algum significado para as suas existências, Godot. A peça atinge uma genialidade absurda e comovente ao mostrar aos espectadores que a vida pode ser apenas a iminência de... De que? A busca incessante pela mudança que nunca ocorre. É um texto que esvazia algo que é fundamental para o teatro: a ação. Em Esperando Godot simplesmente não existe ação. O próprio diálogo foi esvaziado. A fala dos personagens não evolui para o encerramento de um conflito dramático serve apenas como uma bengala para mostrar o raciocínio tortuoso dos dois principais personagens. A angústia desta obra reside no fato de que os elementos inicialmente leves, engraçados e atrapalhados não se resolvem no final. A peça se abre para uma violenta e profundamente filosófica comparação com a vida.

Uma possibilidade que parece ser aberta na montagem de Diálogo inútil do Abismo com a queda, é a de aumentar a autonomia dos encenadores diante deste dramaturgo sobre o qual tantos clichês de encenação e interpretação se acumulam. É necessário deformar mais a obra, “degluti-lo, mastigá-lo”, fugir dos modelos tradicionais de montagem de um autor que jamais demonstrou apego ao tradicional.
Provavelmente a peça de Beckett que mais apresenta paralelos com a montagem em cartaz no Satyros é Fim de Partida que para muitos é sua realização mais bem acabada. A obra trata da solidão e da impotência humana. Num cenário apocalíptico de um mundo em destroços, os personagens jogam com o desespero e o riso amargo. O texto que transita em o trágico e o cômico tem peso de ironia e personagens densas. Seu nível de truncamento impede que fáceis conclusões a respeito sejam extraídas. Há ideologia em Beckett? É possível encontrar chaves simbólicas nos diálogos estropiados entre Hamm, misto fracassado de ditador e artista frustrado, e Clov, seu serviçal. Os aleijões de Beckett que também aparecem em Diálogo inútil... representariam uma síntese contra a sociedade moderna?

Assim como em Fim de Partida, não temos em Diálogo Inútil... uma sinopse muito extensa, ao contrário. A peça narra a história de um casal de velhos juntos a 350 anos que voltaram ao local em que se casaram para se separar. O silêncio, como na primeira, impera nos pontos altos do espetáculo que, também atipicamente, possui trilha sonora e iluminação que fogem à tradição das montagens de Beckett. Ocasionalmente aparece a figura do mutilado que vive dentro de uma espécie de lata de lixo. Os três apresentam dificuldades físicas com deformidades causadas pela idade ou pela mutilação. A poderosa extensão das micro-ações em longos jogos de cena é o ponto forte do espetáculo. O público não se cansa e fica marcada a força cênica do absurdo. É justamente a marca econômica de Beckett que o fez se distinguir de seus contemporâneos e conterrâneos geniais James Joyce e Marcel Proust com seus intermináveis Ulisses e Em busca do tempo perdido, respectivamente. No fim da vida, Beckett foi compondo peças cada vez menores com recursos cênicos e verbais mínimos. Os personagens, eles próprios fragmentos, repetem gestos automatizados falam com clichês e pedaços de frase, contam pedaços de histórias que não se resolvem nem apontam um sentido. Assistir Beckett é sempre um exercício necessário de angústia e inquietação.

Serviço:
Espaço dos Satyros I
De 20/03 a 05/06 quintas às 22h30
R$10,00 a R$20,00(11)3258-6345
http://ciadeorquestracaocenica.zip.net/

Segunda-feira, 17 de Março de 2008

AMOR QUE É DE MENTIRA...

... Ou mentira que é de amor? Reestréia em São Paulo com a Cia dos Ditos Cujos. O grupo que visa um teatro que ultrapasse fronteiras etárias constrói um espetáculo rico em imagens poéticas acerca do tema amoroso sob diversos motes: O casal, a infãncia, a velhice, a bricadeira, os clichês, a inocência. Tudo estruturados em quadros que podem ser lidos soba a perspectiva dos públicos infantil, jovem e adulto, cada qual atribuindo significados e relações diversas com o espetáculo. Acompanha as cenas uma rica trilha sonora executada ao vivo.

15/03 a 27/04 sabados e domingos às 16h30 - Teatro Martins Penna - Largo do Rosário, 20 Penha - 2293 6630.

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

AedoArt Produções e Eventos


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